A pouco mais de um mês do lançamento de GTA 6, a Rockstar enfrenta em Glasgow, na Escócia, a fase final do processo trabalhista movido por ex-funcionários demitidos em outubro de 2025. Na sessão mais recente, o diretor de RH Charlie Kinloch foi questionado sobre um suposto informante dentro do Discord do sindicato e sobre o momento escolhido para as demissões. O caso importa porque discute se a Rockstar demitiu pessoas por vazarem informações ou por se organizarem num sindicato.

O que está em julgamento

Em 30 de outubro de 2025, a Rockstar demitiu 34 funcionários no Reino Unido e no Canadá. Segundo o sindicato IWGB (Independent Workers' Union of Great Britain), 31 deles eram filiados. Os ex-funcionários dizem que foram dispensados num único dia, sem aviso e sem chance de se defender, e acusam a empresa de agir para impedir o avanço do sindicato.

A Rockstar afirma que as demissões foram por falta grave: segundo a empresa, os funcionários compartilharam informações confidenciais sobre o desenvolvimento de GTA 6 num servidor do Discord. Na abertura das audiências, em setembro, a defesa disse ter acessado em meados de outubro de 2025 uma sala desse servidor com mais de 300 pessoas, entre elas ex-funcionários, profissionais de empresas concorrentes e um jornalista, e que ali havia mensagens ofensivas a gestores e referências a recursos do jogo. Os ex-funcionários negam ter vazado segredos e dizem que muitas das mensagens citadas eram reclamações triviais do dia a dia.

O depoimento do diretor de RH

Charlie Kinloch, diretor de RH e co-gerente do estúdio Rockstar Lincoln, foi ouvido na semana passada. Segundo o Kotaku e o Eurogamer, ele disse que seu interesse era limitar o risco de vazamentos, e não saber quem era ou não sindicalizado. De acordo com o relato do Eurogamer reproduzido pelo GTA BOOM, Kinloch afirmou ter um interesse "amplo" na sindicalização por seu efeito sobre os gestores, mas pouco interesse nas conversas sindicais de cada funcionário.

O ponto mais sensível é o chamado "AB", um funcionário anônimo que teria repassado a Kinloch capturas de tela do Discord do sindicato. A Rockstar diz que AB agiu por conta própria. Os ex-funcionários afirmam que ele foi compensado com folgas pelo serviço. AB não está entre as testemunhas que vão depor, e os advogados dos demitidos pediram que o tribunal leve essa ausência em conta.

O advogado dos ex-funcionários também questionou o tempo de reação da empresa. Kinloch disse ter visto comentários problemáticos meses antes das demissões e justificou a pressa de outubro de 2025 com o crescimento rápido do servidor e com a proximidade de um grande anúncio de GTA 6. O advogado rebateu perguntando se esperar 18 meses era agir "o mais rápido possível". Poucos dias depois das demissões, a Rockstar adiou GTA 6 de maio para novembro de 2026.

A tese do sindicato

O IWGB sustenta que as demissões vieram quando o sindicato estava perto de atingir 10% dos funcionários, o patamar que permite pedir o reconhecimento formal no Reino Unido. Segundo o Kotaku, as informações repassadas a Kinloch mostravam que faltavam cerca de 12 filiados para isso. Os ex-funcionários pedem reintegração ou indenização.

Em janeiro de 2026, o mesmo tribunal negou um pedido de medida provisória que garantiria salários aos demitidos até o julgamento. A juíza disse na época que não podia concluir que a filiação ao sindicato provavelmente seria vista como o motivo principal das demissões, mas essa decisão não antecipa o resultado final.

O que ainda não se sabe

  • Quando sai a decisão: as audiências começaram em 10 de setembro e devem terminar por volta de 16 de outubro. O tribunal só decide depois disso, sem data marcada.
  • Efeito no jogo: nada indica impacto no lançamento. GTA 6 segue marcado para 19 de novembro de 2026, no PS5 e no Xbox Series X|S, como explicamos em nossa matéria sobre a data.
  • Mais testemunhas: outros gestores da Rockstar ainda devem depor nesta semana.

O processo é separado da onda de vazamentos atribuída ao grupo CyberLeek, que a Rockstar também enfrenta neste momento e que detalhamos em outra reportagem.